Saudade. Acho que todo brasileiro conhece essa palavra, e
todo o mundo conhece esse sentimento. Digam o que disserem, mas o cara que
inventar um aniquilador de distância instantânea – e de peso também,
convenhamos! – vai ser a pessoa mais rica do mundo. E a mais amada por mim
também.
Eu cresci sentindo saudade. Morei longe da minha família por
muito tempo. Depois dos meus seis anos, sempre tinha alguém muito importante
morando em um estado diferente do meu. Acho que por estar relativamente
acostumada, subestimei esse sentimento e comecei a namorar alguém que mora em
outro país.
No último fim de semana, senti uma saudade absurda dele,
dessas além do normal. Fui ao casamento de uma grande amiga e mesmo com um
monte de gente que eu amo lá, era pra ele que eu queria contar a história de
amizade entre a noiva e eu. Era com ele que eu queria dançar a valsa dos
padrinhos, com ele que queria comentar todos os detalhes que faziam aquele
casamento tão “deles”. Mas então eu pensei: um casamento, né? É lógico que eu
vou sentir saudade do meu namorado.
Nada. Dia seguinte, mesa de bar. Amigos solteiros e
completamente não românticos. O assunto era o Google e não tinha nada a ver com
amor. E lá estava ela. A viadinha da saudade de novo, apertando meu peito e
mostrando incomodamente sua presença. Veio logo a vontade de explicar pra ele o
porquê da discussão, das risadas, mostrar pra ele minha cerveja favorita e como
os brasileiros, especialmente os meus, são sensacionais. Eu sabia que ele ia
gostar de estar ali. Eu conseguia imaginar ele ali, rindo e interagindo, bem do
meu lado, sem deixar espaço pra saudade alguma.
Chegando em casa, fui tentar explicar pra ele o que saudade
significava. Ele conhece o sentimento, mas não sabia explicar. Contei então das
sensações do fim de semana e disse: isso é saudade. Ele aprendeu a palavra, eu
aprendi a não subestimar o sentimento. E nós dois seguimos esperando o cara que
vai inventar a tão sonhada máquina dos sonhos de qualquer brasileiro, árabe ou
saudoso desavisado.